Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Três Anos de orkut







Quem você conhece?
Logo que acessamos o orkut, somos saudados pela frase acima.Mas quem acessou o site nesses dias percebeu que a sentença foi trocada, lembrando-nos de que esse mês o orkut completa, aos trancos e solavancos, 3 anos de existência.
O orkut - que, para quem não sabe, deve ser escrito sempre com "o" minúsculo - foi criado por Orkut Buyukkokten , estudante de Computação da Universidade de Stanford, quando ele trabalhava para o Google.Na época, ele desenvolveu uma comunidade onde somente ele e seus amigos poderiam entrar, mas a idéia foi se espalhando, os amigos começaram a chamar mais amigos e, desde então, o site tem sido usado por diferentes tipos de gente para os mais diversos fins.
No início predominava o caráter social:o orkut nada mais era do que um ponto de encontro na rede, onde os internautas poderiam relacionar-se com pessoas que compartilhavam os mesmos interesses e opiniões.Porém, sua crescente popularização trouxe outras utilidades que vão além daquelas inicialmente pretendidas pelo seu criador.
Uma dessas utilidades, infelizmente, é a crescente criação de comunidades que propagam, entre outras coisas, o racismo, a homofobia e a pedofilia.
Outro desses "novos usos" do orkut que está em evidência desde o ano passado é a troca de ofensas entre torcidas organizadas, o que geralmente leva à morte de pessoas que nada têm a ver com isso e só contribui para engrossar o coro daqueles que são a favor de sua proibição.
Mas nem só de polêmicas vive o orkut.Muitos são os exemplos de usos "politicamente corretos" da rede virtual, como o reencontro de amigos e parentes distantes e o surgimento de comunidades dispostas a divulgar causas nobres.
Podemos perceber a dimensão que o orkut vem tomando na vida dos brasileiros pela sua presença cada vez mais comum em reportagens sobre comportamento.Um exemplo é a matéria "Elas adoram Clarice Lispector", escrita na revista Istoé de 20/09/2006:
(...)Colocar a escritora no topo da preferência chega a parecer curioso quando se trata de gente tão nova. No caso da estudante Clara Carvalho, 19 anos, o incentivo veio desde pequena. Ela aprendeu a ler com a mãe, que usava nas aulas informais o livro A hora da estrela. “Eu me identifico com as coisas que ela escrevia”, afirma a moça, que adora estudar e passa um terço de seus dias lendo. No Orkut, o site de relacionamentos que virou reduto de brasileiros, o nome da escritora está associado a 49 comunidades repletas de gente nova. Apenas para comparar: Cecília Meireles reúne nove espaços exclusivos para os fãs no Orkut e Vinícius de Moraes batiza 27 grupos. Por que tamanha popularidade? Ainda é difícil saber ao certo. Os internautas dizem, em linhas gerais, que quem lê Clarice vive intensamente. Pode ser. “Ela tem profundidade, o que agrada aos jovens. Além disso, cultivava uma imagem de diva, o que atrai”, avalia Marisa Lajolo, professora de literatura da Universidade Mackenzie e autora do livro "Como e por que ler o romance brasileiro".
Entre altos e baixos, é inegável a influência e a importância que o orkut exerce sobre os internautas do Brasil, seja servindo como uma simples ferramenta para relacionar-se com novos e velhos amigos, seja apenas como um espaço aberto para mexeriqueiros em geral.

E então, quem você conhece?

Ah, e não posso quebrar a tradição:
Até.


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Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Loucura Existe?

Não é todo dia que o Ignorância pode ser citado em um blog como o Pensar Enlouquece.Meu pobre blog pode não aguentar tantas visitas de uma só vez. :)
Mas chega de enrolação!Segue um post.

*******

Ando percebendo um estranho fenômeno: a ocorrência cada vez maior dos "loucos contidos", aqueles que costumam gritar sem mais nem menos quando não tem ninguém olhando, parecido com esse cara aí da propaganda.


Ou como aconteceu comigo uma vez, na sala de aula.

Eu e um amigo conversando...
-Felipe?!
-Que foi?
-O chão.
-O que tem ele?
-O chão.
-Sim, o que há com ele?
-A cadeira.
-Ué, agora é a cadeira?
-A janela.
-HÃ?!
-A porta.
...

Há várias maneiras de se explicar essa ocorrência.A mais comum é atribuir tudo ao frenesi da modernidade, que torna necessário o extrapolamento das emoções e desperta o desejo de sair da rotina, experimentando novos modos de comportamento sem medo de desviar-se dos padrôes sociais.Mas será mesmo que isso pode ser chamado de loucura?

Assim define o Aurélio:
Loucura: estado alterado da mente; ato de pessoa louca; desvario; extravagância.
Essa é uma maneira um tanto simplista de pôr as coisas.O conceito de loucura é um dos mais difíceis de ser fixado, já que ele está sempre mudando de acordo com os costumes característicos de cada época ou lugar.
Só para citar dois exemplos:

  • Na Malásia, existe um quadro de demência senil conhecido na língua local como latah, caracterizado por coprolalia(ato de falar palavrôes) e irritabilidade acima do normal.Em nossa cultura, esse tipo de comportamento certamente mereceria nossa atenção e complacência em relação ao idoso portador dessa doença.Mas acabou se tornando um costume local levar esses simpáticos senhores para animar festinhas com seu show de esquisitices.



  • Em 1958, um negro foi internado à força em um sanatório por ter se inscrito para concorrer a uma vaga na Universidade do Mississippi.Segundo o pensamento da época, qualquer negro que pensasse que poderia estudar ali estava, necessariamente, louco.

  • Sendo assim, será que existe um limite real entre a lucidez e aquilo que chamamos de loucura?Ou será que apenas gostamos de taxar aqueles que possuem algum tipo de desvio moral?Não arrisco dizer.Essa discussão não é nova e até agora não se chegou a nenhuma conclusão definitiva.
    Talvez a única resposta possível seja dizer que, realmente, de gênio e louco, todo mundo tem um pouco.

    Até.

    PS:Não sei se é influência desse assunto, mas enquanto escrevo, senti uma vontade incrível de bater com a testa no teclado.Felizmente, resisti à tentação.

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    Terça-feira, Janeiro 09, 2007

    Promessas 2007

    A blogosfera está sendo varrida por mais uma corrente.Nao, ela não está relacionada a nenhuma causa humanitária nonsense como "salvem os guaxinins albinos da extinção" nem ameaçando os indigentes com a visita de uma menina morta chamada Samara(se bem que, segundo o Bananex, do Cérebro de Banana, quem quebra a promessa terá seu blog invadido por "emos miguxos que vão encher sua página com fotos da Hello Kity".Eu não vou arriscar!).Ela apenas pede que os blogueiros revelem suas promessas para esse new fucking year de 2007 e convidem outros 5 amigos blogueiros a participar da corrente.
    Bem, atendendo ao convite do Alexandre Inagaki, dono do meu blog favorito, o Pensar Enlouquece, também revelo aqui minhas resoluções para 2007.Aí vai :
    • Passar no Vestibular: até aqui, nenhuma surpresa.Esse é o desejo de 9 entre 10 estudantes do Ensino Médio.O problema é que, como todos sabem, muitos desejam e poucos serão os selecionados para a mesopotâmica aventura acadêmica da faculdade.
    • Não desistir do meu blog: manter um blog, definitivamente, é bem mais difícil do que parece.Quem apenas costuma lê-los imagina que seus autores simplesmente saem escrevendo sem nenhum tipo de dificuldade, que as idéias brotam de uma hora para outra e são regurgitadas no teclado com total fluidez de pensamento.Engano seu, caro leitor!Só quem entra nesse maldito e viciante hábito sabe o que significa passar por crises de criatividade e se culpar por um contador de visitas que mantém-se, aparentemente, estático.Às vezes torna-se uma grande tentação a vontade de chutar o balde e jogar tudo pro alto.Mas, mantendo minha força de vontade, espero que isso não ocorra comigo nesse ano.
    • Ler mais livros, principalmente os clássicos: quanto à quantidade de livros que leio, não há do que reclamar.Porém, sabemos que há uma nítida diferença entre quantidade e qualidade.Um coisa é ler Machado de Assis; outra, completamente diferente, é ler Paulo Coelho.Sempre comparei clássicos como Amor de Perdição, Iracema e livros afins àqueles remédios amargos que os pais empurram goela abaixo nos filhos, imaginado que isso é o melhor para a saúde - nesse caso, para a inteligência - deles.Mas percebi que eles têm seu valor.Me apaixonei pelos contos do velho Machado, pelo fluxo de consciência de Clarice Lispector e pela poesia sussurrada de Cecília Meireles.Recomendo essa promessa a qualquer um!
    • Não contribuir para o aquecimento global: tarefa dos tempos modernos.Temos que consertar essa cagada esse deslize feito pelos nossos antepassados e garantir que o mundo dure pelo menos até o final desse século.Eu, pelo menos, quero viver até lá.
    • Tentar praticar algum esporte: essa eu faço todo ano.Todas as minhas tentativas nesse sentido foram frustradas até agora.Não tem conserto.Meu corpo não se adapta a nenhum esporte.Acho que só natação mesmo, único esporte que se pratica deitado. :)


    Pronto!A primeira parte está cumprida.Só falta a segunda parte:convidar 5 amigos blogueiros a fazer parte dessa brincadeira.Ei-los:


    Corrente cumprida.Quem quiser uma coisa mais sofisticada pode dar uma olhada nesse site.

    Até.

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    Complexo de Holofote


    Mais um ano e, para não romper a tradição, a Rede Globo nos traz mais uma edição do Big Brother Brasil, um dos programas mais controversos da televisão brasileira.Sim, controverso, caro leitor.Não há adjetivo melhor para algo que, por um lado, desperta paixões e discursos do público em defesa deste ou daquele participante e, por outro, é constantemente bombardeado pela crítica com eufemismos como "consagração do voyeurismo" ou "hedonismo das massas" que, em suma, apenas ressaltam a opinião elitista de que o povo brasileiro é burro e mexeriqueiro.
    Durante algum tempo, partilhei da opinião popular: assistia sem falta a todos os capítulos, entrava em discussões inflamadas sobre quem merecia ganhar o vultoso prêmio de 1 milhão de reais - discussões essas onde nenhuma das partes cediam em suas versões - e torcia veementemente(sempre quis uma desculpa para usar essa palavra ^^) pela pessoa que, a meu ver, deveria levar o prêmio.Mas a apuração do meu senso crítico acabou me levando a adotar um outro ponto de vista.Para mim está claro que nada ali é real.Não, não vou imitar o falecido Leonel Brizola que, em certa ocasião, disse que tudo na Rede Globo é tendencioso e manipulado.Não reconheço a ela autoridade em matéria de liberdade de imprensa.Apenas percebi que não vale a pena - nem o gasto adicional na conta do telefone - gastar meu precioso tempo em frente à TV vendo as picuinhas entre os participantes e revoltando-me pela exploração da ignorância alheia(quem não se lembra do famoso iarnuô, releitura "pobre" de We Are the World, cantada pela Solange?).
    Os defensores costumam argumentar em favor do programa afirmando que se trata do "espetáculo da vida real".Mas nem isso justifica a exibição do programa.Constatando-se pelas outras edições, vemos que - em maior ou menor grau - todos os participantes estão ligados à mídia ou a alguém de dentro de emissora. Se bem que, dessa vez, a apelação da Rede Globo foi bem cara-de-pau:até o Marrone vai entrar na casa!

    Bem, hedonismo das massas, espetáculo da vida real, não importa que nome lhe seja dado:não pretendo assistir a esse Big Brother.Nada contra quem gosta, só não me obriguem a perder meu precioso tempo, já tão atribulado com os estudos para o maldito vestibular nesse ano, vendo um bando de gente com síndrome de holofote pululando na TV em troca de quinze minutos de fama.

    Até.

    Terça-feira, Janeiro 02, 2007

    Feliz 2007!


    Enfim, 2007!Finalmente 2006 se foi, levando consigo todos os seus dissabores e problemas(que não foram poucos).
    Gosto dos primeiros dias de Janeiro.Sentimo-nos envoltos por uma inexplicável aura de onipotência, aquela sensação de que nos foi dada uma nova chance para tentar realizar tudo aquilo que, por falta de tempo, forças ou coragem, não pudemos pôr em prática.É uma pena que esse êxtase não dure até Quinta-Feira, quando nos damos conta de que, na prática, tudo continua igual.
    Porém, sinto-me mais otimista.Sempre fui muito pragmático, não acreditava nessa euforia bêbada que regava as celebrações de passagem de ano.Mas me dei conta de que é preciso acreditar em algo para que esse "algo" aconteça.É como bem ilustrou Drummond de Andrade na sua Receita para o Ano-Novo:

    Para ganhar um Ano-Novo que mereça esse nome,
    você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo.
    Sei que não é fácil, mas experimente, tente, consciente!
    É dentro de você que o Ano-Novo cochila e espera desde sempre!
    Bem, é esse o espírito.Agora é preciso pôr a mão sobre as novas agendas, pendurar a fita do Senhor do Bonfim sobre o calendário, e fazer as novas juras para o ano que chegou!Emagrecer, desemagrecer, estudar mais, estudar menos, não assistir ao novo Big Brother(foi uma das minhas promessas - sabem como é, assistir Big Brother é igual a assumir que lê Paulo Coelho:na prática, soa como um atestado público de ignorância assumida.E, como vocês sabem, ignorância é fogo!), é preciso ter fé e atrevimento para chegar lá.Alguém já disse que ,para atingir seus objetivos, é preciso ter duas qualidades:paciência e, principalmente, coragem para seguir em frente mesmo se decepcionando com o que se encontra no caminho.E no meu caso, um pouquinho mais de coragem não seria ruim.
    É isso.Sei que parece uma grande bobagem, mas no fundo... no fundo acho que é mesmo :)Eu é que ando perdendo a noção.
    Até!
    PS:Não imaginava que o Ignorância fosse durar até aqui.Já tive uma experiência um tanto, digamos, frustrada com a blogosfera.Vocês podem dar uma olhada nos fósseis do meu antigo blog, onde eu escrevia umas crônicas meio loucas.Desisti dele menos de um mês depois de começar.

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