Sábado, Maio 10, 2008

De volta


Enfim, depois de uma longa e atribulada folga, decidi voltar a escrever neste ponto ínfimo que habita os arredores mais empoeirados da blogosfera.
Em tempo, devo uma explicação aos (escassos) leitores do blog:

Em março do ano passado, abandonei o blog devido à falta de tempo. Naquela época, estava ocupado com a escola, com o vestibular(o que não é nada fácil quando se estuda em uma escola pública de Maracanaú) e com o trabalho na saudosa Secretaria de Ciências, Tecnologia e Empreendedorismo de Maracanaú(pois é, infelizmente, acabou meu contrato esse ano). Também deixei de lado a leitura de outros blogs, algo que me fez muita falta(a literatura, de modo geral, me foi muito escassa no ano que passou).

Pois bem, estudei muito, ganhei medalhas na olimpíadas brasileiras de Matemática(o que eu nunca achei que fosse possível) e de Astronomia e tive o êxito de ser aprovado nos vestibulares do Cefet-Ce(Engenharia de Computação) e na Universidade Federal do Ceará(Ciências da Computação). Até o mês passado, tentei me dedicar às duas faculdades, mas desisti do Cefet depois de perceber o fato óbvio de que nenhuma pessoa mentalmente sã sustentaria dois cursos tão difíceis.

Atualmente, estudo Ciência da Computação na UFC e agora já disponho de algum tempo livre para dedicar-me ao blog. Claro que não será exatamente fácil esforçar-se para escrever bons textos e, ao mesmo tempo, estudar a demonstração do Teorema das Séries Integrais Monótonas de Schwultz-Zilah para a prova de Cálculo IX, mas eu prometo que me esforçarei.

Espero poder sustentar essa nova empreitada e não desistir novamente do blog. :)


Até°/

PS: Eu sei, a foto não tem nada a ver com o tema do post.






Terça-feira, Março 20, 2007

Tentativa de Conto - V.2

Estou apreensivo.Sério.Já faz uma semana que não posto nada e de repente tenho que encarar a tela em branco do computador, esperando por uma idéia que não vem.Talvez eu tente um conto.Ou uma crônica.Ou, como costuma ser mais comum em meus textos, algo tautômero, que se metamorfoseie entre a crônica e o conto.E de improviso, já que não tenho nenhuma idéia, "causo" inusitado ou acontecimento que me inspire.Vamos lá.







Comecemos então com uma situação comum.Um grupo que conversa em um bar.Preciso encontrar um diálogo convincente.Estranho como isso se torna difícil, levando-se em conta que qualquer semi-autista anti-social(como este que vos escreve) consegue iniciar uma conversa em um bar.Depois tenho que criar algo estranho, inesperado, como, sei lá, um elefante cor-de-rosa que passa no meio da rua dançando balé.Mas não agora.Depois, talvez.Ao diálogo.Vamos tentar um que, ao mesmo que tempo que serve como mote para o conto, satirize alguns hábitos comumente arraigados entre os brasileiros.A mania de achar que sofrer é algum motivo de orgulho, por exemplo.Não entenderam?Leiam:

Dois amigos encontram-se no bar:

-Fala, Betão!, diz um deles.
-Há quanto tempo, heim, rapaz!, responde.
-Chega aqui, vamos tomar uma.
-Só se for agora!.
-Como vai a vida?
-Nem tão boa, ando meio doente, sabe.Peguei uma gripe forte na semana passada...
-Verdade?Isso não é nada!Eu peguei uma pneumonia que me deixou um mês de cama, não conseguia nem c...
-Há, interrompeu um velhinho que sentava próximo a eles, isso é porque vocês nunca tiveram tuberculose...
Temos agora um impasse.A conversa continuava calorosamente, como se a doença alheia fosse um assunto imperdível.Mas não durou muito.Nesse momento, surge uma estranha pessoa no bar.Vestia uma espécie de macacão preto brilhante, aderindo à pele e que fazia-o parecer um tipo de agente secreto.Tinha um olhar curioso, olhava atentamente às pessoas em volta.
Nesse momento, falou, com voz grave:
-Saudações.Trago uma notícia.Não sei se a acharão boa ou ruim.Mas o fato é que seu mundo acabará em 5 minutos.Não há nada a ser feito para impedir isso.Sinto muito.
Ao término de suas palavras, as reações das pessoas no bar foram variadas.Alguns continuaram olhando atentamente para o homem, como se esperassem que ele gritasse "Primeiro de Abril!".Outros sufocaram risos e o resto balançou a cabeça, tentando imaginar de que hospício esse louco deve ter fugido.Em seguida, ouve-se um estrondo.Todos ficaram assustados, tentando imaginar a causa.O estranho rapaz de macacão preto falou, aparentando indiferença:
-Está começando.
Suas palavras foram o estopim para se instaurasse a confusão generalizada.Pessoas corriam e gritavam desesperadamente, procurando fugir de algo que, eles já sabiam, não poderiam escapar.

Foi aí que passou um elefante cor-de-rosa na rua dançando balé.





Eita, já fiz 17 anos.
Agora não sei se continuo estudando para o vestibular ou se fujo logo com o Sea Shepherd.
Aceito sugestões.

Até.

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Quinta-feira, Março 08, 2007

De volta à ativa.


Pronto, já desafoguei, voltei a usar a internet e pude rever o miha página no orkut que, para supremo orgulho de minha misantropia, permaneceu inalterado em seus 248 recados - à execeção, talvez, de simpáticas garotas que, atenciosamente, têm me convidado a assistir suas peripécias sexuais em frente às suas webcams.Mas não é desse tipo de consolo que estou precisando no momento.

Bem, voltarei a escrever a partir da segunda-feira, dia 12.Até lá, estarei preparando os assuntos e textos a serem escritos.


Até.
PS: que doidice isso aqui

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Estou totalmente sem tempo para postar, ultimamente(no próximo post, explico o porquê)
Pra matar o tempo dos leitores, deixo aqui essa crônica do blog Sê Inteiro(recomendo fortemente) o qual tie a chance de coonhecer através, mais uma vez, do Pensar Enlouquece:



Minhas palhetas novas

No dia em que eu não contive as lágrimas, as palhetas do meu carro não contiveram a chuva que despencava sobre nós. Foi para que eu segurasse a barra que elas não suportaram o tranco. Bonitinhas, me deram umas boas gargalhadas no meio do caos. Quebraram super: a do carona só espalhava a água; a do motorista ficou com a perninha para fora do vidro.Então, isso faz tempo, quase duas semanas. De lá pra cá, deu pra driblar os chuviscos. Hoje cedo, foi um pouco complicado pegar estrada. Devia ter sentido: era sinal de que não vinha coisa boa pela frente. À noite, a chuva castigou. E não houve marcha lenta nem faixa da direita que resolvessem.
Eram 23 horas. Havia saído do jornal com planos bem determinados: vir pra casa, comer uma bobagem qualquer, ler um capítulo do livro da Ilana Casoy sobre os serial killers brasileiros e pesquisar o tema de uma pauta especial na internet. Tudo certinho.Menos de cinco minutos depois de ligar o carro, admiti que não chegaria em casa com aquelas cataratas do Niágara na minha frente. Liguei o limpador de pára-brisas e fui dirigindo inclinada na direção do banco do carona, onde a vista era um pouquinho melhor. Parei num posto:
- Moço, você tem palhetas?
- Tenho não.
- Nem que seja de outro carro, só pra eu chegar em casa. (O planejamento em pessoa. E seria capaz de rodar anos com o negócio adaptado.)
- Não, não tenho nadinha. Acho que você deveria ir ali no MercadoCar, aqui pertinho. Seguindo aquela avenida, no terceiro farol, vai estar a sua esquerda.
- Mas é 24 horas?
- É. E é o melhor que você tem a fazer. Eles têm tudo para carro e trocam na hora. E comprar em posto é roubada, muito caro.
Aceitei a sugestão do moço. Eram três faróis adiante ou sei lá quanto tempo esperando a chuva passar. Fui andando, de olho na metade do vidro do carona. As indicações estavam corretíssimas: terceiro farol, posto Shell e o oásis – MercadoCar 24 horas.Estacionamento cheio, fila comprida no caixa. Pensei:
- E lá se foi minha noite planejadinha.
No meio de tantas opções, nem hesitei, nem tentei ser autosuficiente:
- Moço, preciso de palhetas novas para o meu carro.Ele foi lá, perguntou marca e ano, e achou. Me ofereceu duas opções. Escolhi a mais cara, de R$ 63,90.
- Agora, me diga, essas palhetas não vão quebrar nunca, né?
- Não, mas daqui seis meses é bom trocar.
- Vocês instalam na hora?
- Sim. Se você pagar mais R$ 1, o João Leandro instala para você.
Sensacional. Todos os meus reais para que o João Leandro fizesse a bondade de instalar o negócio.Na fila do caixa, olhos e ouvidos atentos, foi tudo muito engraçado. Das 15 pessoas na minha frente, pelo menos umas seis iriam comprar palhetas novas. Chega um moço atrás de mim e comenta o tanto de gente. Concordo e emendo a venda em massa do negócio.
- É, quando chove (a água bate na bunda, pensei) todo mundo corre trocar.
Como assim, "todo mundo corre trocar", cara pálida? Eu nunca incluí uma grama sequer de planejamento na minha vida desregrada sobre troca de palhetas. Enfim...Nisso passam dois casais, digamos, bastante simples. Os moços com olhinhos agitados para as peças, puxando pelas mãos suas namoradas loiras rebolantes. Juro, tinha cara de que aquilo, para eles, era um programão. Mais e mais homens. Mais e mais olhinhos ávidos por novidades.Me dei conta, apoiada no meu par de palhetas como Chaplin segurando sua bengala, que, coisa óbvia, estava num shopping center de carros e carro é paixão do brasileiro e não podia ser diferente. Tonta eu que nunca atentei para os encantos dos volantes coloridos de neoprene, dos lubrificantes que duram séculos, das peças de motor feitas com aço de plutão (que nem é mais planeta, ainda me sinto órfã), das luzes de neon que brilham mais do que nas testas de muitos bichinhas.Volto à realidade. O bonitão fortão que chegou depois de mim na fila estava agachado fuçando enfeitinhos de pelúcia para o carro. Ele não ia comprar palhetas, tinha em mãos um potinho com líqüido roxo para deixar o carro perfumado. Lembrei de um amigo contando que, antes de casar, quando ia sair com uma menina especial, lavava e perfumava o carro. Se era uma qualquer, nem o carro tinha trato. "Então, quer dizer que se a gente sair num carro porco, pode ter certeza de que o cara não está nem aí, né?", perguntamos as meninas da mesa, tentando entender o complexo mundo masculino.A fila andou bastante até que eu visse um homem sujo de graxa na loja. Lembrei de uma matéria recente sobre o Tribunal do Júri em que entrevistei um mecânico. Ele disse que gostava de ser jurado e tal e fez piada: "Além do mais, é um dia no mês pra andar limpo." Adorei. E publiquei.Minha vez no caixa. Enquanto a moça fazia os procedimentos, eu assuntava sobre aquele novo universo que se descortinava a minha frente.
- Tá cheio isso aqui, né?
- Tá nada, menina. Tá calmo hoje.
- Mas tarde assim, mais de 23 horas?
- É, isso aqui é uma loucura.
- E o que mais sai? Essas palhetas?]
- Não, aqui vende de tudo. Tudo que você possa imaginar. (Imaginação não me falta. Juro que fiquei imaginando.)
Nota fiscal na mão, eu era a feliz proprietária de um par de palhetas Dynol 34S – D3C Spoiler. Produto original. Indústria brasileira. Certificado por vários Isos. Parecia que todos os meus (poucos) problemas na vida haviam terminado. E a embalagem dizia: "Palheta é item de segurança e deve ser trocada uma vez por ano." Que seis meses nada, vendedor!?!Passei ao lado da lanchonetezinha e pensei:
- Engraçado, tem gente que se sente tão à vontade aqui que fica à vontade até para comer um pastel.Vi um moço trocando a palheta traseira de um carro - sim, só comprei as dianteiras, uma coisa de cada vez - e não deixei por menos:
- Oi. Você é o João Leandro?
- Não. (risos) Ele nem veio hoje.
- Ah tá. Mas posso entrar na fila para você trocar as minhas?
- Pode. Você espera ali um pouquinho? (Apontou para uma areazinha coberta, cheia de carros.)Previ que o negócio iria longe e resolvi entrar na dança.
- Moço, o que você tem além de esfirra?
- Pastel.
- Eu quero um de queijo.Nisso passou uma moça, que subiu rápido a rampinha e derrapou com o pé direito.
- Precisa trocar o pneu, gata. (O autor da pérola estava na minha frente.)Não fiz cerimônia, morri de rir. Refeita, peguei o pastel, voltei para a areazinha coberta e fiquei ali, quase-solene: mão esquerda no bolso, palhetas debaixo do braço, pastel na outra mão. Não demorou nada, chegou a minha vez. E o moço foi lá, todo bonzinho trocar. Palhetas não são parafusadas, era só encaixar.
- Mas deixa eu testar, que elas estavam meio esquisitas.E lá se foi a perninha do motorista para fora do vidro de novo. Ele fez cara de espanto.
- Precisa levar no mecânico para parafusar isso. (Ele se referia à base do negócio.)
- Ah moço, conserta pra mim, vai?
Nem precisei insistir. Ele foi lá, pegou um alicate e voltou.
Bom esse pastel, né?
- É bom, sim. Tem bastante queijo.
- Esses dias teve um cara que reclamou. No dele veio pouco. Quase armou barraco.Tudo era aberto ali, mas mesmo assim perguntei se podia fumar. Ele deixou e foi tão queridinho que puxei papo.
- Como é o seu nome?
- Jaílton.
- Jaílton, eu sou jornalista. Agora que perguntei seu nome lembrei de um negócio engraçado. Eu cobri um pouco aquela história do buraco e o cobrador da van soterrada, que morreu, chamava Wescley. Nunca tinha ouvido esse nome. A mãe do cara foi muito ninja pra descolar Wescley. Fiquei com esse nome na cabeça. Hoje, precisei falar com uns militares em Brasília. Liguei lá na comunicação e perguntei com quem falava. "Tenente Wescley na linha." Disse um "quê?" tão espantado que ele repetiu meio injuriado. Deve ter pensado que era uma crítica, tadinho.
- Dois Wescleys em 15 dias? (Espertinho o moço.)
- Pois é. Agora que perguntei seu nome, pensei: "Já pensou se ele também se chamar Wescley?"
Ele apertou bem apertadinho o negócio lá e perguntou o que eu tinha feito pra ficar daquele jeito. Respondi que nada e seguimos com os testes. Até que ficou tudo pronto. E eu quase me emocionei ao ver o movimento harmonioso, compassado, siamês das minhas duas palhetinhas. Abri a carteira e dei uma gorjeta gorda, para os parâmetros de quem torce o nariz quando tem que dar gorjeta.
- Obrigada, Wescley.
- Wescley não! Jaílton!


Até.

PS: Sabem aquilo que eu escrevi sobre o Big Brother?Esqueçam, já estou assistindo e torcendo pela Fani

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Terça-feira, Janeiro 30, 2007

Três Anos de orkut







Quem você conhece?
Logo que acessamos o orkut, somos saudados pela frase acima.Mas quem acessou o site nesses dias percebeu que a sentença foi trocada, lembrando-nos de que esse mês o orkut completa, aos trancos e solavancos, 3 anos de existência.
O orkut - que, para quem não sabe, deve ser escrito sempre com "o" minúsculo - foi criado por Orkut Buyukkokten , estudante de Computação da Universidade de Stanford, quando ele trabalhava para o Google.Na época, ele desenvolveu uma comunidade onde somente ele e seus amigos poderiam entrar, mas a idéia foi se espalhando, os amigos começaram a chamar mais amigos e, desde então, o site tem sido usado por diferentes tipos de gente para os mais diversos fins.
No início predominava o caráter social:o orkut nada mais era do que um ponto de encontro na rede, onde os internautas poderiam relacionar-se com pessoas que compartilhavam os mesmos interesses e opiniões.Porém, sua crescente popularização trouxe outras utilidades que vão além daquelas inicialmente pretendidas pelo seu criador.
Uma dessas utilidades, infelizmente, é a crescente criação de comunidades que propagam, entre outras coisas, o racismo, a homofobia e a pedofilia.
Outro desses "novos usos" do orkut que está em evidência desde o ano passado é a troca de ofensas entre torcidas organizadas, o que geralmente leva à morte de pessoas que nada têm a ver com isso e só contribui para engrossar o coro daqueles que são a favor de sua proibição.
Mas nem só de polêmicas vive o orkut.Muitos são os exemplos de usos "politicamente corretos" da rede virtual, como o reencontro de amigos e parentes distantes e o surgimento de comunidades dispostas a divulgar causas nobres.
Podemos perceber a dimensão que o orkut vem tomando na vida dos brasileiros pela sua presença cada vez mais comum em reportagens sobre comportamento.Um exemplo é a matéria "Elas adoram Clarice Lispector", escrita na revista Istoé de 20/09/2006:
(...)Colocar a escritora no topo da preferência chega a parecer curioso quando se trata de gente tão nova. No caso da estudante Clara Carvalho, 19 anos, o incentivo veio desde pequena. Ela aprendeu a ler com a mãe, que usava nas aulas informais o livro A hora da estrela. “Eu me identifico com as coisas que ela escrevia”, afirma a moça, que adora estudar e passa um terço de seus dias lendo. No Orkut, o site de relacionamentos que virou reduto de brasileiros, o nome da escritora está associado a 49 comunidades repletas de gente nova. Apenas para comparar: Cecília Meireles reúne nove espaços exclusivos para os fãs no Orkut e Vinícius de Moraes batiza 27 grupos. Por que tamanha popularidade? Ainda é difícil saber ao certo. Os internautas dizem, em linhas gerais, que quem lê Clarice vive intensamente. Pode ser. “Ela tem profundidade, o que agrada aos jovens. Além disso, cultivava uma imagem de diva, o que atrai”, avalia Marisa Lajolo, professora de literatura da Universidade Mackenzie e autora do livro "Como e por que ler o romance brasileiro".
Entre altos e baixos, é inegável a influência e a importância que o orkut exerce sobre os internautas do Brasil, seja servindo como uma simples ferramenta para relacionar-se com novos e velhos amigos, seja apenas como um espaço aberto para mexeriqueiros em geral.

E então, quem você conhece?

Ah, e não posso quebrar a tradição:
Até.


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Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Loucura Existe?

Não é todo dia que o Ignorância pode ser citado em um blog como o Pensar Enlouquece.Meu pobre blog pode não aguentar tantas visitas de uma só vez. :)
Mas chega de enrolação!Segue um post.

*******

Ando percebendo um estranho fenômeno: a ocorrência cada vez maior dos "loucos contidos", aqueles que costumam gritar sem mais nem menos quando não tem ninguém olhando, parecido com esse cara aí da propaganda.


Ou como aconteceu comigo uma vez, na sala de aula.

Eu e um amigo conversando...
-Felipe?!
-Que foi?
-O chão.
-O que tem ele?
-O chão.
-Sim, o que há com ele?
-A cadeira.
-Ué, agora é a cadeira?
-A janela.
-HÃ?!
-A porta.
...

Há várias maneiras de se explicar essa ocorrência.A mais comum é atribuir tudo ao frenesi da modernidade, que torna necessário o extrapolamento das emoções e desperta o desejo de sair da rotina, experimentando novos modos de comportamento sem medo de desviar-se dos padrôes sociais.Mas será mesmo que isso pode ser chamado de loucura?

Assim define o Aurélio:
Loucura: estado alterado da mente; ato de pessoa louca; desvario; extravagância.
Essa é uma maneira um tanto simplista de pôr as coisas.O conceito de loucura é um dos mais difíceis de ser fixado, já que ele está sempre mudando de acordo com os costumes característicos de cada época ou lugar.
Só para citar dois exemplos:

  • Na Malásia, existe um quadro de demência senil conhecido na língua local como latah, caracterizado por coprolalia(ato de falar palavrôes) e irritabilidade acima do normal.Em nossa cultura, esse tipo de comportamento certamente mereceria nossa atenção e complacência em relação ao idoso portador dessa doença.Mas acabou se tornando um costume local levar esses simpáticos senhores para animar festinhas com seu show de esquisitices.



  • Em 1958, um negro foi internado à força em um sanatório por ter se inscrito para concorrer a uma vaga na Universidade do Mississippi.Segundo o pensamento da época, qualquer negro que pensasse que poderia estudar ali estava, necessariamente, louco.

  • Sendo assim, será que existe um limite real entre a lucidez e aquilo que chamamos de loucura?Ou será que apenas gostamos de taxar aqueles que possuem algum tipo de desvio moral?Não arrisco dizer.Essa discussão não é nova e até agora não se chegou a nenhuma conclusão definitiva.
    Talvez a única resposta possível seja dizer que, realmente, de gênio e louco, todo mundo tem um pouco.

    Até.

    PS:Não sei se é influência desse assunto, mas enquanto escrevo, senti uma vontade incrível de bater com a testa no teclado.Felizmente, resisti à tentação.

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    Terça-feira, Janeiro 09, 2007

    Promessas 2007

    A blogosfera está sendo varrida por mais uma corrente.Nao, ela não está relacionada a nenhuma causa humanitária nonsense como "salvem os guaxinins albinos da extinção" nem ameaçando os indigentes com a visita de uma menina morta chamada Samara(se bem que, segundo o Bananex, do Cérebro de Banana, quem quebra a promessa terá seu blog invadido por "emos miguxos que vão encher sua página com fotos da Hello Kity".Eu não vou arriscar!).Ela apenas pede que os blogueiros revelem suas promessas para esse new fucking year de 2007 e convidem outros 5 amigos blogueiros a participar da corrente.
    Bem, atendendo ao convite do Alexandre Inagaki, dono do meu blog favorito, o Pensar Enlouquece, também revelo aqui minhas resoluções para 2007.Aí vai :
    • Passar no Vestibular: até aqui, nenhuma surpresa.Esse é o desejo de 9 entre 10 estudantes do Ensino Médio.O problema é que, como todos sabem, muitos desejam e poucos serão os selecionados para a mesopotâmica aventura acadêmica da faculdade.
    • Não desistir do meu blog: manter um blog, definitivamente, é bem mais difícil do que parece.Quem apenas costuma lê-los imagina que seus autores simplesmente saem escrevendo sem nenhum tipo de dificuldade, que as idéias brotam de uma hora para outra e são regurgitadas no teclado com total fluidez de pensamento.Engano seu, caro leitor!Só quem entra nesse maldito e viciante hábito sabe o que significa passar por crises de criatividade e se culpar por um contador de visitas que mantém-se, aparentemente, estático.Às vezes torna-se uma grande tentação a vontade de chutar o balde e jogar tudo pro alto.Mas, mantendo minha força de vontade, espero que isso não ocorra comigo nesse ano.
    • Ler mais livros, principalmente os clássicos: quanto à quantidade de livros que leio, não há do que reclamar.Porém, sabemos que há uma nítida diferença entre quantidade e qualidade.Um coisa é ler Machado de Assis; outra, completamente diferente, é ler Paulo Coelho.Sempre comparei clássicos como Amor de Perdição, Iracema e livros afins àqueles remédios amargos que os pais empurram goela abaixo nos filhos, imaginado que isso é o melhor para a saúde - nesse caso, para a inteligência - deles.Mas percebi que eles têm seu valor.Me apaixonei pelos contos do velho Machado, pelo fluxo de consciência de Clarice Lispector e pela poesia sussurrada de Cecília Meireles.Recomendo essa promessa a qualquer um!
    • Não contribuir para o aquecimento global: tarefa dos tempos modernos.Temos que consertar essa cagada esse deslize feito pelos nossos antepassados e garantir que o mundo dure pelo menos até o final desse século.Eu, pelo menos, quero viver até lá.
    • Tentar praticar algum esporte: essa eu faço todo ano.Todas as minhas tentativas nesse sentido foram frustradas até agora.Não tem conserto.Meu corpo não se adapta a nenhum esporte.Acho que só natação mesmo, único esporte que se pratica deitado. :)


    Pronto!A primeira parte está cumprida.Só falta a segunda parte:convidar 5 amigos blogueiros a fazer parte dessa brincadeira.Ei-los:


    Corrente cumprida.Quem quiser uma coisa mais sofisticada pode dar uma olhada nesse site.

    Até.

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    Complexo de Holofote


    Mais um ano e, para não romper a tradição, a Rede Globo nos traz mais uma edição do Big Brother Brasil, um dos programas mais controversos da televisão brasileira.Sim, controverso, caro leitor.Não há adjetivo melhor para algo que, por um lado, desperta paixões e discursos do público em defesa deste ou daquele participante e, por outro, é constantemente bombardeado pela crítica com eufemismos como "consagração do voyeurismo" ou "hedonismo das massas" que, em suma, apenas ressaltam a opinião elitista de que o povo brasileiro é burro e mexeriqueiro.
    Durante algum tempo, partilhei da opinião popular: assistia sem falta a todos os capítulos, entrava em discussões inflamadas sobre quem merecia ganhar o vultoso prêmio de 1 milhão de reais - discussões essas onde nenhuma das partes cediam em suas versões - e torcia veementemente(sempre quis uma desculpa para usar essa palavra ^^) pela pessoa que, a meu ver, deveria levar o prêmio.Mas a apuração do meu senso crítico acabou me levando a adotar um outro ponto de vista.Para mim está claro que nada ali é real.Não, não vou imitar o falecido Leonel Brizola que, em certa ocasião, disse que tudo na Rede Globo é tendencioso e manipulado.Não reconheço a ela autoridade em matéria de liberdade de imprensa.Apenas percebi que não vale a pena - nem o gasto adicional na conta do telefone - gastar meu precioso tempo em frente à TV vendo as picuinhas entre os participantes e revoltando-me pela exploração da ignorância alheia(quem não se lembra do famoso iarnuô, releitura "pobre" de We Are the World, cantada pela Solange?).
    Os defensores costumam argumentar em favor do programa afirmando que se trata do "espetáculo da vida real".Mas nem isso justifica a exibição do programa.Constatando-se pelas outras edições, vemos que - em maior ou menor grau - todos os participantes estão ligados à mídia ou a alguém de dentro de emissora. Se bem que, dessa vez, a apelação da Rede Globo foi bem cara-de-pau:até o Marrone vai entrar na casa!

    Bem, hedonismo das massas, espetáculo da vida real, não importa que nome lhe seja dado:não pretendo assistir a esse Big Brother.Nada contra quem gosta, só não me obriguem a perder meu precioso tempo, já tão atribulado com os estudos para o maldito vestibular nesse ano, vendo um bando de gente com síndrome de holofote pululando na TV em troca de quinze minutos de fama.

    Até.