Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Eu juro que eu quero escrever, é só a preguiça que não deixa!
E depois, fiquei traumatizado com o Blogger.Quando eu finalmente resolvi passar o Ignorância para a versão beta, aparece aquela mensagem no topo do painel de edição do blog:"We're out of beta"!Estava querendo muito colocar uns marcadores para facilitar a leitura.
Saco...

PS:Hmm...só agora eu li no blog do Blogger (?!) que eles estão passando as contas antigas para a nova versão.É.Menos mal :)

Sábado, Dezembro 16, 2006

Consolo Impresso

Pelo ritmo das postagens, o Ignorância está cada vez mais próximo de tornar-se um blog hebdomadário(ou semanal, pra ser mais simples).Pesam a favor desse fato a falta de criatividade, a iminente chegada do Vestibular e, principalmente, a preguiça.
Mas não foi esse o caso nessa semana.É que eu recebi a visita de um tal Aedes Aegypt e fiquei sem condições de postar nada esses dias.Mas aí vai o post.

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Nas horas de desolação, recorremos aos mais variados métodos para nos reconfortarmos.Um meio comum é procurar um ombro amigo, uma palavra de consolação que nos dê forças para encarar de frente nossos problemas.Outros, como eu, que odeiam ter que encher o saco dos amigos com chateações, preferem a ajuda impessoal dos livros.Impessoal?Tenho minhas dúvidas.Pessoas dadas a esse hábito percebem a palavra impressa como um amigo bem mais confiável do que aqueles, digamos, de " carne e osso".Os livros estão sempre lá, dispostos a nos escutar e ,assim como as pessoas, eles têm diferentes personalidades, ajustando-se ao nosso estado de espírito.Por exemplo:nas horas alegres, uma boa companhia são os livros do Luis Fernando Verissimo;nas horas de desilusão em relação às pessoas, nada como a ironia fina de Machado de Assis;já nos momentos de desespero e raiva, pode-se descarregar toda a tensão num bom Dostoiévski(Se Deus não existe, tudo é permitido), mas cuidado!Há o risco de você sentir vontade de pular de um prédio bem alto quando terminar de lê-lo.
Enveredando por essa linha, sempre procuro nos livros aquela palavra amiga.Um caso particular são os quadrinhos do Mr. Natural.Segue aí uma amostra:













Para quem faltou à aula de Inglês:
1º Quadrinho
Fulano:Mr Natural, eu vim para ouvir Sua Palavra
Mr.Natural:Vá engraxar seus sapatos, meu filho
2º Quadrinho
Fulano:OK.Eu volto já!
3º Quadrinho
Fulano:E então, Mr. Natural?
Mr.Natural:Não está bom.
4º Quadrinho
Mr.Natural:Eu me referia aos sapatos da sua alma!Vê se acorda!
5º Quadrinho
Mr.Natural:É tão difícil fazê-los entender!

Vai aqui uma breve explicação:Mr.Natural foi um personagem criado na década de 60 pelo cartunista americano Robert Crumb.Foi feito no intuito de ir na contramão do movimento hippie-oriental-zen-budista que tomou conta das Américas naquela época.Ele - o Mr.Natural - é um guru às avessas, que ao invés de dar conselhos convencionais, costuma mandar as pessoas que o procuram para a pqp.E se você for mulher, ele lhe dará um conforto bem pouco espiritual.
Por que eu gosto desse personagem?Não sei.Talvez seja para sair da rotina.Nesses dias permeados de frases-prontas e eufemismos, em que até anão virou "verticalmente prejudicado", um conselho do tipo "Pare de encher o saco e vá cuidar da sua própria vida" acaba se tornando o consolo mais eficiente de todos.



Até.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Anti-Natalino II

Já mostrei aqui meu repúdio à indústria natalina.Não se preocupem, não vou gastar a atenção de vocês falando mal do Natal, dizendo que ele perdeu seu verdadeiro significado e que se tornou apenas mais um chamariz capitalista.Já há muitas outras pessoas ocupadas em fazer isso mundo afora.
O problema é que usam-se apenas conceitos subjetivos para esculhambar o Natal.Ora, vivemos numa era onde reina o paradigma científico!Apenas as idéias fundamentadas em resultados e experimentos palpáveis conseguem obter algum mérito.Sendo assim, decidi apelar para o método científico para provar, de uma vez por todas, uma tese que defendo desde que me entendo por gente:o fato de que as crianças não gostam de Papai Noel.Sério, por mais chocante que isso possa parecer.
Espelhando-se numa experiência semelhante feita pelo Dr. John W. Trinkaus, um cientista ganhador do Prêmio IgNobel, fui ao shopping da cidade fazer uma pesquisa de campo.Levei caderno, lápis e fiquei anotando a reação de cada criança que passava pelo bom velhinho, classificando-as numa escala que ia de Aborrecidas até Aterrorizadas.Consegui anotar a reação de 156 crianças.Aí vai o resultado:

  • Aborrecidas: 0,2%
  • Receosas:1,3%
  • Animadas:2,5%
  • Indiferentes:90,2%
  • Assustadas:2,8%
  • Completamente Aterrorizadas:3%

Bom, aí está.Já sabia que o resultado seria algo assim.Apenas quis confirmar de uma maneira racional aquilo que já se sabia há tanto tempo.

Não acho que o Natal está perdido.É louvável o seu caráter familiar, nos permitindo o esquecimento de nossos problemas e diferenças pelo menos uma vez por ano.Mas pelo amor de Deus, tirem aquele velho barrigudo da praça do shopping!

É isso.Desiludidos ou não, a todos um Feliz Natal!

Até!

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Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Anti-Natalino I

Não sei quantas crianças ainda mandam cartas para o Papai noel.É bem mais provável que aquelas que ainda acreditam no velho Santa Claus mandassem um torpedo do celular se descobrissem o prefixo do Pólo Norte.Ou, quem sabe, mandem um e-mail para algum endereço do tipo santa@polo_norte_web.com.
Mas admitindo-se que esse seja um hábito comum nas terras tupiniquins, provavelmente as cartas das inocentes crianças atuais seriam mais ou menos assim:

"Prezado Papai Noel,
quero falar logo dos presentes que você deixou na minha árvore no dia de natal.Eu tinha pedido uma bicicleta,um trem elétrico, um video game e um par de patins...
O ano todo me matei de estudar, levei maçã pra professora,só tirei 10 no colegio, fui à missa todo domingo, não falei nome feio, me comportei bem com meus pais,não briguei com meu irmão,pedi até a benção do titio Airton, que insulta comigo me chamando de um apelido que eu não gosto.
Ah sim, ia me esquecendo, reparti meu sanduíche com um menino pobre, ajudei velhinhos a atravessar a rua, dormi cedo, comi verdura e nem botei o gato lá de casa no microondas.
Mesmo assim, você botou debaixo da minha árvore de natal a porcaria de um pião, a merda de uma corneta e uma bosta de um par de tênis mixuruca.
Seu barrigudo miserável, não deu nadinha do que eu pedi e pro filho da vizinha, malcriado, imoral e desobediente, deu tudo o que ele queria.
Tomara que aconteça um terremoto bem grande, porque com um papai noel incompetente que nem você, é melhor que o mundo se acabe pra você ficar desempregado e nao sair enganando menininhos como eu que escrevem cartinhas e ficam esperando feito besta.
Mas não deixe de vir por aqui ano que vem, pois vou arrebentar e tacar pedra nas suas renas com a baladeira que meu tio Airton me deu.
E aí, quero é ver você, com essa barrigona de lama, andando a pé, com um saco nas costas, pulando de telhado em telhado e o pessoal ligando pra polícia pensando que é ladrão.
Espero que você se lasque, que seu trenó capote no meio da neve e você fique esperneando, de bunda pra cima feito tartaruga-ninja.No próximo Natal, você vai me pagar o novo e o velho, vai saber o que é um garoto mal-educado, doido pra se vingar.Atenciosamente, Joãozinho.

(Essa carta faz parte da crônica "Carta ao Papai Noel", escrita por Airton Monte no jornal O Povo)

Até!

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Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Novos Tempos


Bem, uma semana depois, cá estou eu.Para mudar o layout do blog - que ainda não está lá essas coisas, diga-se de passagem - acabei, meio que sem querer querendo, tirando umas férias.Só conseguia acessar a internet durante uns quinze minutos por dia, tempo suficiente só para pôr em ordem meus compromissos do ciberespaço que apareceram depois da chegada do orkut, do msn e outros afins.
Hoje é muito natural, em qualquer fim de mundo em que você se encontre, acessar a internet.Em toda esquina que se vá, já existe pelo menos uma lan house.
Lembro de ter acessado a internet pela primeira vez quando tinha 11 anos.Engraçado.Naquele tempo, era o fascínio da ignorância.Ah, como era bom bom ficar acessando o chat do Bol, conversar com pessoas de todos os lugares do mundo("Em inglês, que legal!").Havia uma certa autoridade ao mencionar, meio que de bobeira, a conversa que eu tive com em fulano que morava - ou dizia morar, não sei - na Inglaterra.Aquilo, na escola e nas conversas de beira de calçada, tinha um efeito indescritível.Era algo para poucos e privilegiados mortais, e isso caía como uma luva para satisfazer meu ego infantil.
Agora, comunicar-se com pessoas de outros países é tão natural quanto falar com aquela tia que vende frutas na mercearia da esquina.De fato, foi uma grande mudança.
Percebo também uma mudança na forma como nos sentimos em relação aos outros.Antes, nos sentíamos únicos, cada qual com suas manias e esquisitices.Mas a chegada da internet eliminou qualquer individualidade, principalmente depois da chegada do orkut.Não se pode mais pensar em uma única idiossincrasia sem correspondentes no espaço virtual, desde pessoas que curtem matemática, passando pelos Assexuados(???), até aqueles que conseguem lamber o cotovelo.
Também as amizades são agora mais longevas.Quando uma amiga minha mudou de escola, ela simplesmente me disse que estávamos "eternamente unidos pelo orkut", o que traduz bem a idéia.Sempre se pode reencontrar os velhos amigos, conversar com aqueles ex-colegas da turma de "mil novecentos e lá vai poeira", apesar disso nem sempre ser uma experiência muito agradável.Afinal, quem é que gosta de saber, por exemplo, que todo mundo que você conhecia se deu bem e só você ficou nessa mesmice?Para mais detalhes, vide o excelente blog Hello Stranger, que postou recentemente sobre o assunto.

E assim a gente vai levando a vida, emocionante ou não, acostumando-se a esses novos tempos cibernéticos.Eu não estou mais nem aí mesmo.:)

Até!

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Estava pensando em mudar o lema do blog para "para quem tem um parafuso a mais".Mas eis que eu recebo um encarte da editora Abril divulgando a nova revista Piauí(também não entendi o nome).Adivinha o logo da revista?"Para quem tem um parafuso a mais".
Agora não dá mais para colocar sem parecer plágio.
Droga!

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